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Nascimentos caem 39% em 30 anos

Publicado em 07/08/2017


A cena de muitos filhos correndo pela casa vem diminuindo em muitos núcleos familiares da região. Nos últimos 30 anos, o número de nascimentos no Grande ABC registrou queda de 38,69%. Dados da Arpen (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo) mostram que em 1986 os cartórios das sete cidades emitiram 54.234 certidões e, três décadas depois, em 2016, 33.253. Mudanças sociais e culturais ao longo do tempo são alguns dos principais fatores para explicar essa realidade, apontam especialistas.

A maior redução no período foi em São Caetano (-82,53%), seguido por Ribeirão Pires (-44,44%), São Bernardo (-40,06%), Santo André (-30,62%), Diadema (-28,92%) e Mauá (-11,08%). Apenas Rio Grande da Serra registrou alta: de 91 certidões de nascimento expedidas saltou para 397, aumento de 336,26%.

"Creio que o fator que mais influencia a queda no Grande ABC é a diminuição da taxa de fecundidade da família no País. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indica que na década de 1980 o índice era de 4,4 filhos por casal. Essa taxa cai para 1,9 em 2010, ou seja, a fecundidade nestes últimos trinta anos sofreu redução superior a 50% por casal. Evidentemente que esta alteração sensível na configuração da família brasileira tem uma forte influência nos registros de nascimento em nossa região", explica o oficial do 1º Registro Civil de Santo André Marco Antonio Greco Bortz.

A melhora nos índices educacionais é ressaltada pelo professor de Sociologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rogério Baptistini Mendes como elemento fundamental para o cenário. "Temos dados censitários que mostram que as mulheres estão participando mais ativamente no sistema de ensino. Estão mais escolarizadas e mais bem informadas, colocando-se no mercado de trabalho e adiando a gravidez. Elas são mais empoderadas quanto ao corpo e a própria vida, o que as leva a decidir sobre sexualidade e evitar gravidez precoce e indesejada."

Professor do curso de Planejamento Territorial da UFABC (Universidade Federal do ABC), Leonardo Freire de Mello salienta que o número médio de filhos por mulher vem diminuindo no mundo inteiro desde a década de 1970. "A queda vai se relacionar com questões de ordens social e cultural. Na Europa e na América do Norte, no fim da década de 1950 e começo da de 1960, começou a ter redução muito significativa no número médio de filhos por mulher, relacionado com o aumento da participação social dela. A mulher deixou de ser somente dona de casa e responsável pela criação dos filhos e começou a ir para o mercado de trabalho", explica.

O especialista ressalta ainda que os métodos contraceptivos, como a pílula anticoncepcional, tornaram-se populares e acessíveis às mais diferentes populações, permitindo que as mulheres passassem a determinar o momento em que querem engravidar. "Com isso, elas passam a ter mais liberdade para postergar a gravidez e investir mais tempo na formação acadêmica, ir para o mercado de trabalho, desenvolver uma carreira e deixar para ter filhos mais tarde, quando tiver outra condição financeira", salienta Mello. "Na geração da minha mãe, por exemplo, o parâmetro para medir o sucesso de uma mulher era o número de filhos que ela tinha, como ela cuidava da família. A geração seguinte percebe que existem outras formas de a mulher obter reconhecimento da sociedade e que vai estar muito mais relacionado à inserção e aos desempenhos acadêmico e profissional. A mídia também cumpriu papel muito importante, porque começou a disseminar que a mulher, para ser feliz e bem sucedida, não precisava ter 20 filhos e isso vai provocou uma mudança cultural", acrescenta.

Mulheres confirmam apontamentos de especialistas

Os argumentos das mulheres que afirmam não planejar ter filhos segue exatamente os apontamentos feitos por especialistas na análise para justificar a queda no número de nascimentos no Grande ABC.
Casada há oito anos, a maquiadora e designer de sobrancelha Cristina Aparecida Xavier Teixeira, 31 anos, de Ribeirão Pires, optou por não engravidar para poder se dedicar à carreira e à vida. "Filho exige muita entrega emocional e financeira, e não me sinto pronta para isso. Meu marido e eu decidimos não ter filhos, conversamos sobre mudar de ideia, mas, aí, pensamos em todos os motivos de novo e desistimos", fala. Ao expor a opinião, ela sente que a decisão é vista com surpresa. "Quando comento, 99% da pessoas me falam que filho é maravilhoso e que vou mudar de ideia. Parece que estou cometendo um crime em não aceitar essa coisa 'incrível' que é ser mãe."

A cantora Hosana Santos dos Anjos, 21, de Mauá, é solteira e, por ora, filhos não fazem parte dos planos de vida. "Acho que é medo de todo o processo de gestação, nascimento, Educação... Não sonho com isso, mas acredito que talvez algum dia possa querer", diz. A falta de vontade em ser mãe também é vista com espanto quando ela comenta o assunto. "É como se achassem que as mulheres devem ter naturalmente esse desejo. Logo, se eu não quero, é como se fosse uma mulher incompleta. Fico muito incomodada com esse tipo de reação, pois remete a uma ideia muito arcaica", opina. "Não sei se quero mesmo me dispor tanto para alguém que nem existe ainda, sabe? Se essa pessoa vier a existir, sei que serei boa mãe, mas não consigo planejar isso como se fosse algo tão bom e bonito", conclui.
Zika, política e economia têm influência

Entre os anos de 2015 e 2016, o surto de zika vírus no País, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, alarmou gestantes e mulheres que planejavam engravidar por estar associado à microcefalia em bebês. Especialistas apontam que a situação pode ter sido mais um fator determinante à queda de nascimentos. No primeiro ano, o Grande ABC registrou 35.273 crianças nascidas, passando para 33.253 no ano seguinte, redução de 5,73%.

"Adiar os planos de gravidez pode ser estratégia para prevenir estas complicações congênitas, mas deve existir comunicação contextualizada do risco para que as pessoas tomem decisões mais bem informadas", fala o professor do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) Fredi Alexander Diaz Quijano.
Docente do curso de Planejamento Territorial da UFABC (Universidade Federal do ABC), Leonardo Freire de Mello também ressalta a questão do zika vírus. "Diversas mulheres em idade reprodutiva ficaram inseguras com relação a isso e é provável que muitas tenham optado por esperar para ver o que irá acontecer", diz.

O especialista pontua ainda as crises política e financeira pelas quais o País atravessa como outros fatores desestimulantes às mulheres projetar gestação. "Em época de instabilidades política e econômica, como as que a gente está vivendo no Brasil, as pessoas, de maneira geral, tendem a ter menos filhos, até porque tem toda aquela questão cultural de que o filho é o futuro. Se o futuro não parece tão bom quanto a gente imaginava, para que vou ter filho?", salienta. "E o oposto também acontece. Em fases de bonança, há aumento no número de nascimentos", completa.

Na contramão, cresce população idosa

Diminui o número de nascimentos, aumenta a quantidade de idosos. Reportagem publicada pelo Diário em junho mostrou que um a cada três moradores do Grande ABC terá 60 anos ou mais em 2050. Conforme a projeção populacional divulgada pela Fundação Seade, o número de pessoas da terceira idade entre as sete cidades passará dos atuais 365,8 mil habitantes para 820,8 mil indivíduos, salto de 124,34% no período.

A queda da taxa de fecundidade é vista com certo alerta pelos especialistas. "Teremos população que envelhece rapidamente e uma força de trabalho que talvez não se renove na proporção necessária para substituir essa que envelhece", fala o professor de Sociologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rogério Baptistini Mendes. Ele lembra ainda a necessidade de discussão sobre a previdência. "Temos menos gente nascendo para suportar a produção e sustentação dessas pessoas que estão se aposentado. Previdência é mais do que discutir qual o valor da conta, diz respeito a que tipo de sociedade queremos ser."

O professor do curso de Planejamento Territorial da UFABC (Universidade Federal do ABC) Leonardo Freire de Mello também faz ressalvas. "As crianças que estão nascendo agora estarão, daqui a 20 anos, dentro da chamada população economicamente ativa. Menos crianças agora vai representar menos trabalhadores ativos em um futuro próximo", analisa. "A medida em que se tem queda na fecundidade e a população começa a envelhecer, regiões com excesso de jovens disponíveis começa a perder população para as que têm carência desses jovens. Mas acho que a preocupação agora é com a possibilidade de inserção desses jovens no mercado de trabalho, algo relacionado com investimentos em Educação."

Fonte: Diário do Grande ABC

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